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1 gonzales

A face territorial do desenvolvimento
Resumo: Observa-se, de maneira geral, o emprego cada vez mais freqüente da expressão “desenvolvimento territorial”
ou, por vezes, “desenvolvimento espacial”. Tal tendência pode indicar uma revalorização da dimensão espacial da
economia, mas pode, igualmente, refletir o hábito corrente de se acrescentar adjetivos ao substantivo
“desenvolvimento”. A investigação aqui exposta permite avançar proposições que decorrem dos debates sobre as
tendências da diferenciação espacial cidade/campo, sobre a heterogeneidade espacial do dinamismo econômico e
sobre as iniciativas locais que podem ser cruciais para o desenvolvimento. Procura-se, dessa forma, estabelecer as
principais relações desses debates com a evolução do “planejamento regional”.
Palavras-chave: Planejamento regional; Meio inovador; Desenvolvimento territorial.
Abstract: It is observed, in general, the frequent use of the expression “territorial development” or, some times,
“spacial development”. Such trend can indicate a revalorization of the space dimension of the economy, but it can,
equally, reflect the current habit of if adding adjectives to the substantive “development”. The here displayed research
allows to advance proposals that elapse of the debates on the trends of the space unbundling cidade/campo, on the
space heterogeneidade of the economic dynamism and on the local initiatives that can be crucial for the development.
It is looked, of this form, to establish the main relations of these debates with the evolution of the “regional planning”.
Key words: Regional planning; Innovative medium; Territorial development.
Resumen: Se observa, en general, el uso frecuente de la expresión “desarrollo territorial” o, algunas veces, “desarrollo
spacial”. Tal tendencia puede indicar un revaloriza1ción de la dimensión del espacio de la economía, pero puede
reflejar, igualmente, el hábito actual de agregarse adjetivos al substantivo “desarrollo”. La investigación aquí expuesta
permite avanzar proposiciones decorrientes de las discusiones sobre las tendencias de la diferenciación espacial
cidade/campo, sobre el heterogeneidade espacila del dinamismo económico y sobre las iniciativas locales que pueden
ser cruciales para el desarrollo. Buscase, de esta forma, establecer las relaciones principales de estas discusiones con
la evolución de la “planificación regional”.
Palabras claves: Planificación regional; Medio innovador; Desarrollo territorial.
Introdução
campo, mais concentrado entre pesquisa-dores de temas rurais. Trata-se essencialmen- te de uma crítica à tendência relativamente emprego cada vez mais freqüente da expres- são “desenvolvimento territorial” (por vezes e urbanização, como fazem os que afirmam “desenvolvimento espacial”). Seu principal ser impossível que uma área rural se desen- objetivo é saber se tal tendência indica uma revalorização da dimensão espacial da econo- mia, ou se, ao contrário, não passa de mais neidade espacial do dinamismo econômico, mais concentrado entre estudiosos da “eco- se acrescentar adjetivos ao substantivo ‘de- nomia industrial”. Ela examina a tortuosa senvolvimento’. A resposta também acabou evolução do debate internacional desenca- sendo de natureza geográfica: “nem tanto ao deado pelos estudos sobre os distritos indus- céu, nem tanto à terra”. Ou seja, parece estar triais marshallianos, que acabou dando res- paldo científico à idéia do ‘desenvolvimento local’, isto é, de que as iniciativas locais indica que tal evolução está longe de permitir podem ser cruciais para o desenvolvimento, que se considere a expressão “desenvol- pois se tornam importante fator de competi- tividade ao fazerem dos territórios ambientes propriamente dito, além de ser muito cedo inovadores. E a terceira procura estabelecer para conhecer seus efeitos práticos. Mesmo as principais relações desses dois debates não podendo dar uma resposta mais original com a evolução do “planejamento regional”.
à referida pergunta, a investigação aquiexposta foi tão frutífera que permite avançar, 1. Da “dicotomia” ao “continuum” rural-
a título de conclusões, dez proposições bem menos banais. Elas decorrem de uma expo-sição que está organizada em três partes.
esteja sujeito a um processo de urbanização tendências da diferenciação espacial cidade/ tão poderoso que a histórica contradição Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, p. 5-19, Set. 2002.
entre cidade e campo estaria fadada a desa- parecer. Contudo, o que se verifica é a exis- seja muito atraente a crença de que o destino tência de três tipos de países desenvolvidos do espaço rural será seu desaparecimento sob o prisma da diferenciação espacial entre por força de avassaladora urbanização. Para áreas rurais e urbanas. Primeiro, um pequeno seus adeptos, a oposição cidade-campo já seria, inclusive, uma questão inteiramente Holanda, Bélgica, Reino Unido e Alemanha, no qual as regiões essencialmente urbanas passaria de mero sucedâneo de uma forma- ção social anterior, condenada pura e sim- regiões essencialmente rurais menos de 20%, plesmente a sumir, a exemplo do que já teria sendo que as intermediárias variam entre ocorrido na Holanda, essa vasta metrópole 30% e 50%1. No extremo oposto há um grupo maior, formado por quatro países do “Novo verdes onde se misturam espaços recreativos e terrenos de uso agrícola. A idéia chegou a Unidos e Nova Zelândia - mas do qual tam- ser formulada nesses termos pelo secretário bém fazem parte três nações muito antigas: Irlanda, Suécia e Noruega. Nesse grupo as regiões essencialmente rurais cobrem mais de 70% do território e as relativamente rurais têm porções inferiores a 20%. Finalmente, no Japão, Áustria e Suíça, países nos quais entre holandês, de grande metrópole esverdeada, 50% e 70% do território pertence a regiões não resiste a qualquer tentativa de se encon- trar homogeneidade espacial entre os países mais desenvolvidos, mesmo que se admita o fundamentos desses três padrões de diferen- aspectos demográficos da questão. Um dos ciação espacial do mundo desenvolvido será países desenvolvidos mais densamente po- forçosamente levado a considerar fatores voados – a Suíça – tem 13% de sua população naturais objetivos, como o relevo, clima e em regiões essencialmente rurais, 25% em hidrologia. Rejeitar explicações baseadas no determinismo natural não significa que se regiões essencialmente urbanizadas. Esten- possa admitir o puro e simples possibilismo, dendo-se por largas partes do Jura, da Plaine isto é, a desconsideração de limites físicos e e dos Alpes, as zonas rurais contribuem de biológicos à ação humana na formação dos maneira significativa à economia nacional, espaços rurais e urbanos, eludindo, assim, toda a problemática do relacionamento entre exterior. E suas funções de residência, traba- lho e lazer são consideradas essenciais por naturais2. Além disso, foi justamente o avan- ço das pesquisas científicas em urbanismo que fez emergir o conceito de “ecossistema habitantes de meia dúzia de países do oeste territorial”, entendido como o espaço sem o europeu reside em regiões essencialmente exercer o conjunto de suas próprias funções regiões relativamente rurais dessa seleta meia vitais. Se o ecossistema territorial é composto dúzia de países varia de 15% na Holanda a 44% na Itália. Nesta última, como no Japão, biológico, quanto do ambiente construído e não chegam a 50% os habitantes de regiões do ambiente antrópico, torna-se impossível, então, recusar todo e qualquer tipo de deter- residam em localidades urbanas. Em países minismo geográfico para explicar a locali- maiores, como a França e o Canadá, apenas zação das atividades e das populações, como 29% e 44% dos habitantes estão em regiões pretendiam os primeiros teóricos da econo- residam em localidades urbanas. De resto, a Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
diferenciação rural/urbana pode ser muito parecida em territórios tão diferentes quanto o da França e o dos Estados Unidos.
população encontrava-se abaixo do nível de os vários tipos de atividade econômica que solução em 535 deles, quase todos concen- permitem elevar os níveis de renda, educação trados no sudeste e no sudoeste, mas tam- e saúde de muitas populações que conti- bém presentes nos Appalaches e em algumas nuam rurais. As novas fontes de crescimento reservas indígenas do norte e do oeste. Toda- das áreas rurais estão principalmente ligadas via, mais de 80% da população rural ameri- a peculiaridades dos patrimônios natural e cultural, o que só reafirma o contraste entre os contextos ambientais do campo e da cida- de. Enfim, a visão de uma inelutável marcha nações de atividades terciárias com as duas para a urbanização como única via de desen- outras categorias setoriais. Para o conjunto volvimento do campo só pode ser considera- dos espaços rurais dos Estados Unidos, as da plausível por quem desconhece a imensa novas fontes de crescimento e emprego estão diversidade que caracteriza as relações entre nas atividades de serviços ligadas ao lazer, espaços rurais e urbanos dos países que mais à aposentadoria e ao meio natural, mesmo se desenvolveram. Não faz sentido, portan- tipos de serviços, como os financeiros, de zação, como propõem sem rodeios os que seguros, imobiliários, de comércio varejista, dizem ser impossível que uma área rural se de restauração, de lavagem a seco, etc.
Enfim, as áreas rurais dos países avan- nizadas as microrregiões rurais dos Estados qualquer vocação que as conecte às dinâ- micas econômicas de outros espaços – sejam perspectivas de desenvolvimento. São prin- eles urbanos ou rurais – e não aquelas que cipalmente as do sul e do oeste que dispõem teriam sido incapazes ou impossibilitadas de de clima agradável, montanhas, lagos, praias, podendo atrair muitos aposentados, turistas, crescimento econômico das áreas rurais estão excursionistas, esportistas, etc. Além desses principalmente ligadas a peculiaridades do condados já escolhidos por migrantes de alta patrimônios natural e cultural, intensifica- renda, há muitos outros, principalmente no oeste, nos quais a forte incidência de terras Tudo isso quer dizer, então, que a desa- federais faz com que seu futuro esteja estrei- creditada abordagem “dicotômica” deveria tamente vinculado à evolução das políticas ser reabilitada? Estaria sendo contrariada a governamentais relativas ao meio ambiente, abordagem inversa, de “continuum”? Depen- ao turismo e outros ramos recreativos. De de muito, na verdade, do significado que se resto, elevadas rendas per capita ocorrem nos forma, o que não parece existir é qualquer porque ali os serviços vinculados a atividades histórica contradição entre cidade e campo, níveis de densidade demográfica. E há muita inclusive no caso holandês, onde os espaços incerteza sobre as perspectivas socioeconô- micas de condados rurais da metade oriental meros corredores nos quais convivem ativi- do país, principalmente no sudoeste, onde os dades agrícolas e recreativas. Em outras serviços se combinaram a outros tipos de palavras, há uma falsa alternativa sendo “continuum”. Mas para disso se dar conta, é às regiões rurais de um mesmo país podem absolutamente necessário sair do isolamento ser muito mais significativas que as referentes demográfico (ou no máximo sociológico) em Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
fundamentos ecológicos e econômicos tives- lidades que desencadeou tantas discussões sobre as virtudes dos distritos industriais várias dinâmicas socioeconômicas, das mais efêmeras às mais duráveis, distinguindo bem amplos programas de pesquisa sobre relações as reversíveis das irreversíveis, pois algumas das mais diversas entre mutações econômicas podem ser duráveis sem que sejam necessa- riamente irreversíveis. Ninguém ignora que Foi a identificação de “constelações eco- a proporção das atividades primárias nas nômicas localizadas que venciam a recessão” economias mais desenvolvidas caiu, neste sé- em áreas relativamente rurais como a Toscana culo, de metade para um vigésimo. Enquanto e Emilia-Romagna (Itália), Baden-Württemberg isso, as terciárias subiram de um quarto para (Alemanha), Cambridge (Inglaterra), Smäland, mais de três quintos, e as secundárias desli- (Suécia), e até essencialmente rurais, como West- Jutdland (Dinamarca), que levou um grupo de terço. Só que os resultados dessas grandes pesquisadores ligados à OIT a se perguntar, em tendências foram bem heterogêneos. Entre os países do primeiro mundo, a parte dos combinação entre eficiência e altos níveis de serviços varia de 50% a 70%, a das industriais de 40% a 25%, e a das primárias de 10% a Idêntica interrogação estava no centro das preocupações que levaram à formação repercussões espaciais dessa enorme mudan- simultânea do Grupo Europeu de Pesquisas ça estrutural. O fato de atividades primárias sobre os Ambientes Inovadores (Gremi), que estarem forçosamente muito mais presentes se propunha a entender os processos cole- nas zonas rurais não significa que os outros dois tipos sejam necessariamente muito mais do amplo debate que se seguiu foram eviden- ciando os limites da noção de “distrito”, industrial é mais significativo nas regiões fazendo com que paulatinamente fosse dada relativamente rurais que nas essencialmente preferência à noção mais ampla de “sistemas produtivos locais (SPL)” (“Local Productive rural que urbano em países nórdicos, como a Noruega e a Suécia. E os serviços têm quaseo mesmo peso em regiões essencialmente ur- 2. Do “distrito marshalliano” ao localismo
banas e relativamente rurais, sendo extraor-dinariamente importantes nas regiões essen- neiros estudos italianos7, como evidenciam das economias desenvolvidas que pode expli- as revisões críticas publicadas em quatro es- car o surgimento, no final do século XX, de pessas coletâneas sobre o assunto8. E os resul- indícios opostos à chamada “desertificação tados dessa vasta produção científica ainda rural” que estariam anunciando um certo não explicam satisfatoriamente as razões do “renascimento rural”. Essa hipótese foi con- cada território, dificultando muito qualquer pararam as regiões rurais mais dinâmicas às tentativa de síntese. De qualquer forma, mais letárgicas ou decadentes. Os resultados assim que algumas lições gerais sobre os “distritos” começaram a ser tiradas, foram determinadas zonas rurais tem causas ainda desconhecidas, mas que, com certeza, não possibilidade de que elas pudessem vir a ser estariam relacionadas a diferenças em suas aproveitadas em contextos muito diferentes.
No caso italiano, por exemplo, constatou-se uma fortíssima correlação entre a distri- tender quais seriam as fontes geradoras do buição espacial da economia “difusa”, que maior dinamismo econômico de certas loca- caracterizava suas províncias mais dinâ- Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
micas, e a intensidade das formas familiares lariam os graus relativos em que o fenômeno de agricultura (e portanto de razoável distri- se manifesta. É sabido, entretanto, que ele buição de renda). Além disso, a organização entre as regiões de uma mesma nação.
Itália, cuja origem remonta à Idade Média, Comparando-se extremos, percebe-se que em certas regiões da Alemanha surgem mais do boa divisão territorial do trabalho entre triplo na Itália, na Suécia e no Reino Unido, articulada da sociedade urbana, e uma rede chegando a girar em torno do quádruplo na Em áreas como o Mezzogiorno, histori- Tudo indica que essas divergências espa- ciais da criatividade empreendedora corres- agricultura, não existe a mobilidade e a pondem ao chamado fenômeno de “clustering” articulação social que engendram a criação (formação de “feixes” ou “cachos”). Segundo de um grande número de flexíveis PMEs.
uma das definições mais aceitas, “cluster” é uma Também não existe essa organização espa- concentração geograficamente delimitada de cial que permite evitar uma fratura entre negócios independentes que se comunicam, cidade e campo. Como enfatiza o economista dialogam e transacionam para partilhar cole- industrial italiano Gioacchino Garofoli, não tivamente tanto oportunidades quanto amea- ças, gerando novos conhecimentos, concor- ocorrer em qualquer lugar, pois está ligado rência inovadora, chances de cooperação, ade- a alguns pré-requisitos da própria formação quada infra-estrutura, além de freqüentemente socioeconômica de cada território9.
também atraírem os correspondentes serviços especializados e outros negócios correlacio- nados. E os estudos sobre a relação existente familiar são condições necessárias, elas estão entre a formação desses feixes e o “empreen- muito longe de ser suficientes. Para que muitas dedorismo” acabam sempre por enfatizar os fatores culturais que às vezes são compactados criados em regiões não privilegiadas pela na sedutora noção de “capital social”: um velha obsessão de “pólos” ou “eixos” urbano- complexo de instituições, costumes e relações industriais, também é preciso que elas dispo- de confiança que geram a “atmosfera” neces- nham de um mínimo de condições favoráveis em termos de comunicações e de serviços e, São muito ilustrativas as conclusões dos sobretudo, de condições que estimulem o balanços feitos em paralelo pelo suíço Denis “empreendedorismo”. Afinal, são os empre- Maillat e pelo italiano Giacomo Becattini, res- endedores os principais agentes da mudança pectivamente fundador do Gremi e principal econômica, pois são eles que geram, disse- expoente dos distritólogos12. As abrangentes minam e aplicam as inovações. Ao procu- pesquisas empíricas do Gremi levaram Maillat rarem identificar as potenciais oportunidades de negócios e assumirem os riscos de suas (milieux innovateurs) se manifestam em apostas, eles contribuem tanto para um maior condições territoriais e produtivas das mais uso dos recursos disponíveis, quanto para a diversas: podem ser especializados ou mul- expansão das fronteiras da atividade econô- tifuncionais, industriais e turísticos, urbanos mica. Mesmo que muitos não tenham sucesso, e rurais, de alta tecnologia ou de tecnologia é sua existência que faz com que uma socie- tradicional. Dá para afirmar quais são as mudanças possíveis e identificar empiri- camente as que já estão em curso. Mas não se quais são os determinantes do “empreende- minado território seja capaz de gerar um dorismo”, apesar de sua crucial influência novo modo de organização e de produção.
sobre o crescimento econômico. Sequer existe acordo sobre os indicadores que melhor reve- que uma política industrial só pode ser Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
sistemática e racional se estiver apoiada num Isso acontece em todo tipo de localidade, tableau das relações socioeconômicas “histori- camente determinadas”, isto é, numa repre- sentação da trama de sistemas produtivos pequenos negócios mais ou menos similares.
locais que não isole as relações técnico-econô- O que as diferencia é a maneira pela qual as micas das relações socioculturais e institu- firmas e a população estão envolvidas na cionais, como faz a matriz input-output. A divisão do trabalho. Uma regionalização revisão dos estudos e debates sobre os distri- funcional da Itália - feita a partir de dados tos industriais marshallianos acabaram por censitários de 1981 sobre os fluxos de deslo- convencê-lo de que os verdadeiros recursos camento entre residência e trabalho (journey- críticos de uma economia nacional são os to-work flows) - permitiu a identificação de sistemas locais: organismos de formação lenta e difícil, que constituem um patrimônio (LLMAs: Local Labour Market Areas), que a ser reconhecido, conservado e fortificado.
Assim, para superar a ignorância reinante locais mediante uma análise de suas estru- sobre a importância dos SPL, Becattini con- sidera necessária a adoção de uma estratégia de pesquisa com três linhas de orientação: foi, infelizmente, distorcida pela divisão setorial. Sua principal motivação era com- parar os 61 distritos industriais marshallianos ciências sociais; b) trabalho de campo que (como os de Carpi e Prato), enquanto subca- explore as similaridades e diferenças e não tegoria das 161 LLMAs de industrialização leve, a outros três tipos: a) as 76 LLMAs do pertencem a campos disciplinares diversos; norte e do centro dominadas por indústrias c) uma caracterização atenta dos SPL, na e serviços (como as de Milão e Florença); b) linha de trabalho explorada por seu colega palmente pelos serviços (como as de Nápoles e Palermo); e c) as 96 LLMAs industriais do superar as distorsões impostas pelo uso das norte (como as de Lumezzane e Valdagno).
fronteiras de caráter político-administrativo como unidade espacial de análise. Afinal, derou “comparáveis”, Sforzi misturou todos os sistemas locais extra-urbanos baseados no centes às províncias que formavam a famosa “Terceira Itália” tinham o dinamismo da “semi-rurais” ou “rurais”. Pior, essas nove economia “difusa” presentes em distritos marshallianos. Além disso, fenômeno idên- numa mesma gaveta com as “marginais” e tico também ocorria no noroeste (“Primeira as “deprimidas” do sul. Assim, 11 tipos de Itália”). Era portanto necessário encontrar uma unidade espacial de análise empírica que não fosse tão distante dos marcos con- ceituais das análises econômicas de Giacomo Becattini, Sebastiano Brusco ou Gioacchino Garofoli e das abordagens sociológicas de Arnaldo Bagnasco, Carlo Trigilia ou Vittorio Capecchi. A contribuição de Fabio Sforzi foi considerado – 1971/81 – a categoria “Resto justamente a de tomar o “sistema de locali- da Itália” gerou proporcionalmente mais dades interligadas” como padrão espacial de análise do processo de industrialização e do das outras quatro, embora sempre tenha sido desenvolvimento socio-econômico em geral.
as divisões setoriais específicas. Ou seja, sem pretender, essa contribuição de Sforzi é uma indústria e uma população têm a mesma excelente ilustração do potencial gerador de área comum de interação social e econômica.
Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
locais extra-urbanos e menos especializados.
tempo, precisa ser evitado o risco de serem Reforça a hipótese de que nesses sistemas criadas tantas novas noções quantas forem as situações diferenciadas. Daí a vantagem podem existir efeitos sinérgicos de geração de da noção de “sistemas produtivos locais” empregos comparáveis até aos que se mani- (“local productive systems”) que acabou, aliás, festam nessa espécie de vanguarda consti- entrando no subtítulo da publicação dos anais tuída pelos distritos industriais marshallianos.
dessa conferência da OCDE sobre “Sistemas Locais de Pequenas Empresas e Criação de única e extremamente heterogênea categoria, Trabalho Local, incluindo até as duas mais dades econômicas puderam ser atribuídas a “deprimidas” e as 41 “marginais”, fica um total de 380 “clusters” em diversas fases impossível separar “o joio do trigo”.
de amadurecimento, e depois classificados Esse forte viés “industrialista” foi man- em apenas quatro tipos de origens: a) recur- tido na atualização feita com os dados censi- sos naturais estratégicos, como nos casos de tários de 1991, apresentada na conferência Chicago (agroalimentar); b) fontes de novas sobre “Sistemas Locais de Pequenas Empre- tecnologias, como o Vale do Silício (micro- sas e Criação de Emprego”, organizada pela eletrônica); c) mercados de trabalho espe- OCDE em junho de 199514. Os sistemas locais cializado, como Dalton, na Georgia (tapetes) sem concentração de emprego fabril foram ou Tupelo, no Mississippi (móveis); e d) opor- tunidades mercadológicas, como Buffalo, em “residual”, desta feita denominada “não- industrial”. O resultado ficou ainda mais estranho, pois nos anos 1980 houve redução generalizada do emprego no setor industrial, qual é a relação existente entre a formação em flagrante contraste com seu aumento no desses feixes e o empreendedorismo acaba- setor terciário, particularmente entre as empresas de “serviços não-tradicionais”. E a inevitável conclusão foi, evidentemente, a rizações de “distritos” ou “SPL”. Como já de enfatizar que, “no mundo real”, as fron- foi dito, a única diferença é que esses fatores teiras entre a indústria e os serviços estão culturais são muitas vezes compactados na sedutora noção de “capital social”, relan- çada com muita perspicácia pelas pesquisas ruptura com a tendência anterior de atribuir diferenças de desempenho institucional das apenas à indústria a glória pelo bom desem- diversas províncias da Itália. Muitas vezes, o capital social é entendido como um com- geográficas. Os participantes preferiram plexo de instituições, costumes e relações de chamar a atenção para as ligações entre as confiança que alavancam a cooperação.
empresas em geral e sua capacidade de criar Outras vezes, essa expressão “capital social” redes (“business links and networking”) ou, de é expressamente evitada e substituída por sistemas locais de PMEs (“local systems of processos formadores de atitudes culturais SMEs”). E própria idéia de “distrito” chegou a ser completamente “desindustrializada” na contribuição holandesa sobre o ‘distrito estruturas institucionais que influenciam o floricultor de Keukenhof’ (“the flower- growing district of Keukenhof”).
feita por Sebastiano Brusco ao apontar as três berta da noção marshalliana de “distrito” foi lições essenciais que devem ser tiradas da certamente muito enriquecedora, mas que ela experiência italiana: a) a necessidade de combinar concorrência com cooperação; b) a diversidade dos sistemas locais. Ao mesmo necessidade de combinar conflito com parti- Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
cipação; e c) a necessidade de combinar o trativos nacionais de “planejamento regio- conhecimento local e prático com o científico.
nal” (ou “ordenamento territorial”), que não Essas três lições fazem com que a interrogação podiam se basear em qualquer experiência central passe a recair, portanto, sobre as acumulada em países capitalistas. As raras condições que permitem a emergência de instituições mais favoráveis a essas três restritas a uma determinada região, além de combinações. E a resposta - como não poderia pertencerem ao contexto inverso, isto é, o da deixar de ser - é afirmação de que o desen- contração da economia mundial durante o volvimento depende essencialmente do papel entre-guerras. Foi nos anos 1930 que a expe- catalisador que desempenha um projeto riência do New Deal com a TVA (Tennessee Valley Authority) incentivou o governo britânico a dar um tratamento diferenciado evolução do debate internacional desenca- a suas áreas de mineração muito afetadas deado pelos estudos sobre os distritos indus- pela crise, e estimulou o governo italiano a triais marshallianos, ganhou forte respaldo científico uma perspectiva contrária à que miséria do Mezzogiorno. Antes disso houve imenso desprezo pelo fator espacial, tanto nas políticas econômicas, quanto na ciência internacionais que procuram influenciar os na qual pretendem se inspirar. No capita- rumos das políticas econômicas nacionais.
lismo anterior a 1929, talvez só possam ser citadas as propostas dos saint-simonianos e levar a sério proposições sobre desenvolvi- mento “endógeno”, desenvolvimento “de baixo para cima”, e até sobre “ecodesen- volvimento”15, acabando por admitir que as mico que se seguiu à “era de ouro”, a partir iniciativas locais podem ser cruciais para o dos anos 1970, pressionaram muitos desses desenvolvimento, pois se tornam importante fator de competitividade ao fazerem dos terri- ordenamento) a redefinir sua missão. Uma tórios ambientes inovadores. Evidentemente, delas foi a forte vaga de “descentralização” não demoraram tanto a aparecer as limitações baseada na idéia de que as distorções que inerentes às resultantes políticas do “desen- produziam as disparidades regionais desa- volvimento local”, o que acabou por estimular pareceriam por si só, caso as administrações debates dos mais bizantinos sobre as relações locais tivessem mais liberdade, poder e meios entre o “local” e o “global” no processo de de ação. Outra foi o impulso para uma maior desenvolvimento, nos quais costumam até a integração supra-nacional, que se manifestou se levar a sério ridículas disputas entre o “glocalismo” e o “lobalismo”.
vem tendo desdobramentos semelhantes emoutras regiões dos continentes americano e 3. Do planejamento regional ao
desenvolvimento territorial
evidentes dessa dupla pressão que se deu odeslize semântico para “desenvolvimento espacial” e, principalmente, para “desenvol- preocupação de minorar as distorções espa- ciais fatalmente provocadas pelo crescimen- As vantagens das palavras “espaço” e to econômico levou à montagem de estru- “território” são evidentes: não se restringem turas administrativas cuja principal missão ao fenômeno “local”, “regional”, “nacional” seria a de “planejar” ou “ordenar”o povoa- ou mesmo “continental”, podendo exprimir mento (ou ocupação) de territórios nacionais simultaneamente todas essas dimensões. A investimentos públicos em infra-estrutura e “perspectiva” ou “esquema” de “desenvol- várias formas de incentivos e regulamenta- vimento espacial”16, quando a OCDE criou ções sobre os investimentos privados. Surgi- um novo serviço com a missão de levar seus ram então vários tipos de arranjos adminis- países membros a elaborar suas próprias con- Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
cepções de “desenvolvimento territorial”17.
Muito mais significativas, entretanto, parecem é tornar mais coerentes as quatro políticas co- ser as motivações que levaram ao progressivo munitárias de “significativo impacto espacial” uso do substantivo “desenvolvimento” para que foram substancialmente fortalecidas, em substituir os fora de moda “planejamento” e 1992, tanto pelo Tratado de Maastricht, como pelo subseqüente Conselho Europeu reunido em Edinburgh: a) a agrícola (PAC), reforma- nisterial “de ordenamento do território” que da nesse mesmo ano; b) a dos “Fundos Estru- preparou um projeto de lei de orientação turais”, ao qual foi juntado o novo “Fundo “para o desenvolvimento do território”. Tal de Coesão”; c) a de transportes e comuni- fato é considerado marco simbólico de uma cações, agrupadas sob a sigla “TENs” (“Trans- European Networks”); e d) a política ambiental.
tenha resultado, em 4 de fevereiro de 1995, O serviço de desenvolvimento territorial da OCDE só foi criado por seu Conselho no vocábulos (“l’aménagement et le développement du territoire”). Basicamente porque o ordena- apresentação formal do projeto pelo Secre- mento seria algo “consentido, outorgado e tário Geral. Com o firme apoio da repre- redistribuitivo”, enquanto o desenvolvimen- sentação austríaca, ele propôs o agrupamen- to seria “desejado, partilhado e produtor de to de quatro unidades até ali dispersas em riquezas”. Ou ainda, porque se pretende outras divisões: os grupos especializados em questões urbanas, desenvolvimento rural e desenvolvimento regional, mais o programa política ascendente (desenvolvimento)”18.
de ação e cooperação sobre iniciativas locais A “perspectiva” européia de desenvol- de criação de emprego21. Baseou tal proposta vimento espacial (UE/ESDP) tem dois obje- em duas justificativas, uma de ordem política tivos essenciais: aumentar a capacidade com- petitiva de territórios cuja integração no pro- a) As zonas urbanas, suburbanas e rurais sãocada vez mais interdependentes e os problemas cesso concorrencial é inadequada, e limitar de uma delas também interferem nas outras.
os efeitos negativos de uma concorrência Por exemplo, os fenômenos de aglomeração e de congestão urbana são inseparáveis da debilitação de certas regiões e do êxodo rural.
Além disso, os efeitos de proximidade tornam entre competição e cooperação, de forma que ainda mais manifesta a necessidade de uma o conjunto do território europeu possa atingir abordagem política coordenada, que possa um nível ótimo de competitividade, refor- integrar o conjunto dos aspectos do desenvol- çando, ao mesmo tempo, sua coesão econô- vimento. Assim, na escala local, os problemasde emprego, de harmonia social, de qualidade mica e social. Para atingir esses objetivos, os da vida – para tomar apenas alguns exemplos – operacionais: a) um sistema policêntrico de b) O desenvolvimento harmônico do tecido econômico está no centro dos trabalhos dosgrupos que tratam de assuntos urbanos, locais, rural; b) uma paridade de acesso à infra- rurais e regionais. Isso se traduz por ações que estrutura e ao conhecimento; c) uma gestão visam encontrar, para uma determinada zona, um equilíbrio entre o fortalecimento de sua cultural19. Para tanto, os vetores do desenvol- capacidade concorrencial e a melhoria da quali- vimento espacial europeu20 foram triados em dade de vida de seus habitantes. Atingir esseobjetivo exige a criação de novas formas de termos de forças, fraquezas, oportunidades parcerias entre os atores envolvidos, quer eles e ameaças (“SWOT analysis”) sendo sejam públicos, privados, nacionais, regionais ou identificado um conjunto de 13 principais locais. Estímulo a projetos, iniciativa rural, ação tendências (3 demográficas, 4 econômicas e urbana, tudo isso decorre da mesma idéia,segundo a qual as contribuições locais permitem 6 ambientais), destacando-se o fato da econo- operar mudanças significativas na paisagem mia e do emprego europeus se tornarem cada vez mais dependentes das pequenas e médias posta, três outras delegações - Austrália, Canadá e Noruega - juntaram-se à da Áustria Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
para considerar o novo serviço como “primei- ra etapa lógica” de um processo que deveria rior da OCDE a idéia de juntar sob o lema do permitir à OCDE uma abordagem analítica “desenvolvimento territorial” seus núcleos mais horizontal das questões relativas ao desenvolvimento econômico, social e ecológico regionais foi, com certeza, mais de um decênio de seus países membros. Em seguida, as dele- de experiência com o programa dedicado à gações da Holanda e da Suíça foram ainda geração de empregos mediante estímulos ao mais longe, chegando a propor, inclusive, a “desenvolvimento local”. Esse programa de “completa fusão dos órgãos subsidiários dos ação e cooperação sobre iniciativas locais de quatro grupos”. Mas tanto entusiasmo esbar- rou na resistência das delegações do Japão, “LEED – Local Economic and Employment da Bélgica e do Reino Unido, e numa certa Development” - foi criado em 1982, e deu hesitação por parte dos representantes da origem a uma vasta rede de intercâmbio que Irlanda e da Espanha. Muitas dessas reticên- divulga análises e relatos de experiências cias eram de ordem orçamentária, mas tam- concretas por meio de “notebooks” e de uma bém foi mencionado o temor de que o novo “newsletter” intitulada Innovation & serviço viesse a reforçar a concentração da Employment, que chegou a ser editada em econômico e industrial em detrimento dos desse programa decidiu fazer uma série de cultura”23. Como tais “dúvidas” não foram avaliações nacionais das políticas e práticas completamente superadas, elas voltaram a se de desenvolvimento local. O foco desses estu- dos anuais deveria estar justamente nas rela- nada disso alterou a natureza do “TDS”, que ções entre as políticas nacionais, regionais e continua a ser apresentado da seguinte forma: locais, de tal forma que se pudesse discutir a Fatores espaciais são elementos importantes na ‘real’ organização da atividade econômica, mas mento local de cada país. O primeiro a se continuam fora do escopo dos atuais macro candidatar a esse tipo de avaliação foi o referenciais. Esses dois mundos – o dos gestores governo austríaco, numa iniciativa conjunta da política macroeconômica e o das localidades,cidades e regiões – continuam bem indepen- de sua ‘Chancelaria Federal’ e do seu ‘Serviço de Mercado de Trabalho’. Além de quatro questões consideradas ‘locais’ têm revelado um caráter cada vez mais ‘transfronteiriço’. De resto, distorções econômicas e sociais continuam aafetar a alocação espacial de recursos e de renda Canadá), o grupo de trabalho encarregado – assim como o papel do setor público – não dessa avaliação contou com a colaboração de dois especialistas convidados: Michael abordagens mais gerais sobre o crescimento e o ajuste estrutural.
Contra esse tipo de herança, a OCDE reforçou assessor especial do Ministro da Economia seu trabalho sobre as relações entre políticas governamentais de caráter urbano, rural, regional e local, mediante o agrupamento dessas Áustria foi drasticamente atingida pela crise atividades em um único Serviço de Desenvol- do padrão de crescimento da “era de ouro”, vimento Territorial. Uma preocupação central éentender como as políticas desses quatro núcleos ela foi um dos primeiros países a experimen- relacionados ao espaço podem efetivamente tar as opções de “reestruturação industrial” contribuir para reformas estruturais e funcio- discutidas no âmbito das organizações inter- namento das forças de mercado, e particu- larmente para a capacidade de geração deempregos produtivos, de adequado aprovei- acabaram convergindo para a idéia central tamento de recursos humanos, de melhoria do de promover o “desenvolvimento local”. Isso padrão e da qualidade de vida, de resposta à teve um claro impacto no “Conceito Aus- tríaco de Planejamento Regional”, reelabo- prevenção contra a marginalidade social e a rado a cada dez anos por uma “Conferência degradação ambiental; enfim, todos os com-ponentes indispensáveis ao bom funcionamento sobre Planejamento e Políticas Regionais das localidades, cidades e regiões24.
(ÖROK)”, presidida pelo chanceler federal Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
Espanha. E as disparidades regionais dentro nadores das Länder e representantes das de cada país eram ainda mais importantes.
comunidades locais. A principal diferença entre os “conceitos” de 1981 e de 1991 foi tração de que o sucesso e o insucesso em criar que o último não visa diretamente a redução das diferenças regionais de padrão de vida, não estão estritamente correlacionados aos nem a criação/atração de novas empresas em áreas menos favorecidas mediante incen- ruralidade não é deficiência, e também não tivos financeiros. O texto de 1991 procurou, é sinônimo de declínio; tanto quanto urbani- ao contrário, definir com clareza o potencial dade e aglomeração não garantem automa- ticamente um próspero desenvolvimento.
“endógeno”, dando origem, no âmbito federal, ao “Programa para o Desenvolvi- entre áreas rurais e urbanas, tornando impli- Ao tirar as lições da experiência aus- rural, o REMI preferiu se dedicar a compa- tríaca de “ajustamento local à reestruturação rações entre regiões mais e menos dinâmicas.
industrial”, o relatório do grupo avaliador Principalmente porque as regiões rurais mais da OCDE fez uma leve crítica a essa evo- dinâmicas podem ser melhor referência para lução, enfatizando que o grande perigo da similares mais atrasadas do que o seriam as urbanas. E foi a partir desse tipo de compa- simples agregação de programas, sem uma rações realizadas pelo REMI que o programa estratégia que de fato possa mobilizar o “a estratégia de desenvolvimento local é questões rurais feitos durante os anos 1980 era a necessidade de melhorar sua gestão âmbito de uma estratégia maior baseada no pelos aparelhos de administração governa- conceito de ‘desenvolvimento territorial’ – a mentais. Como a elaboração de políticas para combinação de políticas governamentais des- rogêneo conjunto de entidades públicas, os principais desafios convergiam sistematica- para que a OCDE decidisse criar um serviço trabalho cooperativo. Não é de se estranhar, de desenvolvimento territorial foi quase um decênio de experiência com o programa de tenha sido “parceria”. Nessa linha, diversas atividades que juntaram responsáveis nacio- Projeto sobre Indicadores de Emprego Rural nais pelas políticas de desenvolvimento rural (“REMI Project”). Foi ele que deixou claro o quanto era precário o entendimento da im- ções cronológicas de indicadores de emprego bricação dos problemas rurais com as mais ser instrutivas as comparações espaciais em bientais e políticas. Isto é, a necessidade de uma “uma abordagem mais global, e inclusive estatística da OCDE ser uma das que melhor territorial, da política rural”26.
permite comparações entre países – isto é, territórios - até o início dos anos 1990 essa políticas agrícolas estavam em curso em organização só dava atenção às séries tem- muitos países membros e, principalmente, na porais de cada país membro. No entanto, as Comunidade Européia. Tudo isso certamen- diferenças cronológicas das taxas de desem- te ajudou para que, em 1991, o Conselho da prego, por exemplo, são muito menos signi- OCDE resolvesse criar um programa voltado ficativas que as disparidades entre os países especificamente para o fenômeno rural, tendo membros. Em 1995, essas taxas variavam de como primeira tarefa a elaboração de um Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
provocativo título “Que futuro para os nossos culturais, do que da exploração dos velhos campos?” (“What Future for Our Countryside?”, trunfos baseados na exploração da fertilida- “Quel avenir pour nos campagnes?”). E talvez de dos solos, ou no aproveitamento de van- tenha sido justamente por mostrar a dificul- tagens de localização industrial. E quando dade de se encontrar respostas convincentes se consegue estabelecer uma sinergia entre a essa grande interrogação, que esse trabalho preservação de “amenidades” e dinamismo tenha contribuído, não só para a criação do econômico – como acontece, por exemplo, Serviço de Desenvolvimento Territorial, mas, no caso da trilha de fronteiras suíça, ou no sobretudo, para que se investisse em ‘estudos dos parques naturais franceses – fica simples- de caso’ e ‘oficinas de trabalho’ que pudessem mente impossível dizer se a atividade é trazer novos “insights”, mesmo que não “primária”, “secundária” ou “terciária”.
trouxessem conclusões generalizáveis.
OCDE devem dar alta prioridade à capita- foi tão fecunda que torna impossível qual- lização do valor das “amenidades rurais” foi quer pretensão a uma síntese que lhe faça a principal conclusão da oficina de trabalho justiça. Mas há três pontos que não podem realizada em setembro de 1997 no Japão, na deixar de ser registrados: a) a matriz dos principais bens e serviços que aproveitam as referentes a doze países (Austrália, Áustria, vantagens competitivas do meio rural (que Bélgica, Canadá, Finlândia, França, Grécia, resultou de investigações sobre a equivocada noção de “nichos de mercado”); b) as razões Suíça). E as resultantes recomendações da lentidão do processo de aproveitamento sugerem a adoção de dois tipos básicos de dessas vantagens competitivas; e, sobretudo, políticas: a) políticas que estimulem a direta c) a crescente evidência de que estão nos pa- coordenação entre os provedores e os benefi- trimônios natural e cultural (“rural amenities” ciários das amenidades (apoio à ação coleti- ou “aménités rurales”) as principais vanta- va e à valorização comercial); b) políticas que gens competitivas dos espaços rurais.
(regulamentações e incentivos financeiros).27 fase recaiu sobre os bens e serviços que usamrecursos mais freqüentes nas áreas rurais. Em Conclusões
seguida fez-se uma classificação segundotrês características – recursos naturais, heranças culturais e tradicionais, e recursos nos três tópicos anteriores impede que dela ambientais – e dois critérios econômicos – se tirem verdadeiras conclusões (isto é, bens e serviços – da qual resultou uma sínteses de confirmações ou refutações de “matriz” com seis janelas que ilustram muito hipóteses). Mas permite que sejam formu- bem a diversidade da economia rural. Depois ladas dez proposições em torno das quais foi feita uma lista dos oito obstáculos que mais deve se organizar o debate que permitirá o avanço das pesquisas sobre a face territorial mais rápido desses recursos, com ênfase especial para a distância que existe entre a cidade e campo nos termos em que se desen- “agrárias” e a própria natureza das moder- rola o debate sociológico, isto é, de “dicotomia x continuum”. O aumento da densidade demográfica nas zonas “cinzentas” - que janelas da matriz da diversidade rural é que deixaram de ser propriamente rurais e que todas elas estão umbilicalmente ligadas ao não chegam a ser propriamente urbanas - não significa que esteja desaparecendo a contra- dição material e histórica entre o fenômeno seja, em sua etapa mais avançada, o desen- econômicos e ecológicos, aprofundam-se, em possíveis maneiras de tornar rentável a vez de diluírem-se, as diferenças entre esses preservação de peculiaridades naturais e dois modos de relacionamento da sociedade Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
Européia), tende a substituir a tradicional expressão “desenvolvimento regional”, pois dência de “ressurreição rural” à velha tese da “desertificação rural”. Em termos estri- desenvolvimento local, regional, nacional, e tamente demográficos, há áreas rurais que até continental (no caso da Europa).
continuam se esvaziando e outras que se recu- f) Mas essa retórica do “DT” também peram. Mas as possibilidades de dinamismo deve muito à evolução paralela dos debates econômico dessas áreas não estão necessa- da “economia industrial”, da “economia riamente correlacionadas às tendências demo- rural” e da “economia regional e urbana”.
gráficas, uma vez que as mais promissoras Nos últimos quinze anos houve nessas três vantagens competitivas das áreas rurais são disciplinas uma forte valorização da escala “amenidades” que dependem de heranças “local”, logo seguida (ou acompanhada) da naturais e culturais, podendo ser até melhor necessidade óbvia e imperiosa de não isolá- aproveitadas por movimentos apenas tempo- la das escalas superiores que vão até a melhor que a do “desenvolvimento local”, muito lento porque depende dos inúmeros e pouco conhecidos determinantes do “empre- ‘teoria & prática’ que venha, de fato, superar endedorismo”. A ênfase no caráter endógeno as divisões setoriais (primário, secundário e de tais determinantes - que está embutida terciário) e também permitir um tratamento no uso cada vez mais freqüente da noção de “capital social” - não deve, todavia, levar a pensar que possam ser menos interessantes os determinantes exógenos que resultam da público sempre revelam um sentimento cole- importância que o conjunto da sociedade dá tivo de que noções utilizadas até determi- ao patrimônio natural e cultural de seus nado momento não mais dão conta da per- cepção que se tem dos problemas enfren- tados, nem exprimem direito o que se gosta- ria ou pretenderia fazer em seguida. Ou seja, ampla, a regionalização internacional e a são mudanças que refletem as hesitações “mundialização” ou “globalização” – têm intrínsecas ao enunciado de novos projetos provocado uma heterogênea evolução das sociais, e, por isso mesmo, as novas noções políticas governamentais. A crescente expo- sição ao comércio internacional e à acele- público costumam ser sempre muito impre- ração do progresso tecnológico exigem mu- i) Não há, portanto, muito interesse em obstáculos ao crescimento e ajudem a apro- saber qual pode ser a utilidade de cada um veitar novas oportunidades. Muitas dessas dos inúmeros adjetivos que têm sido acres- mudanças estruturais são de caráter sub- centados ao substantivo “desenvolvimento’ nacional, mostrando a pertinência de uma conforme evolui o debate público sobre essa abordagem territorial, para a qual os quadros grande utopia dos últimos cinqüenta anos.
dirigentes estão, contudo, despreparados.
Por isso, em vez de comparar o valor relativo Sabem que o principal desafio é identificar das inúmeras maneiras pelas quais se pode os fatores que permitiriam ampliar as opor- subjetivamente qualificar o desenvolvimento tunidades de desenvolvimento das regiões como objetivo central das políticas públicas, menos dinâmicas, mas também não ignoram o que interessa é discutir a real relevância da que a resposta depende de uma explicação dimensão territorial do processo objetivo de ainda muito precária sobre as razões desse um indiscutível progresso retórico, a noção noção “DT: desenvolvimento territorial” (ou “desenvolvimento territorial” traz algo de Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, N. 5, Set. 2002.
volvimento das regiões sem dinamismo eco- 13 Cf. Becattini e Rullani (1995, p. 188-190).
14 das de periféricas ou atrasadas. Por exemplo, cf. Friedmann e Weaver (1979); Sachs (1980); Stöhr(1981).
16 Chamada de “European Spatial Development região como o sul da Itália (“Segunda Itália”) Perspective (ESDP)” ou “Schéma de Développement romper com a estagnação, mesmo que não de l’Espace Communautaire (SDEC)”.
possa deixar de ser periférica e atrasada em O “Territorial Development Service” (TDS) foi criado comparações com as regiões mais dinâmicas.
Não apenas porque a abordagem territorial 20 Sendo 5 relativas às estruturas urbanas; 2 relativas à mudança do papel das áreas rurais; 7 relativas às mu- difícil avaliar se as transformações positivas danças nos transportes, comunicações e conheci- que estão ocorrendo no Mezzogiorno28 mento; e 4 relativas à contínua pressão sobre asheranças natural e cultural.
poderão vir a ser, de fato, favorecidas por 21 Esse programa, cuja sigla original era “ILE”, passou depois a ser denominado “LEED: Local Economic andEmployment Development”.
Este texto, que é parte do primeiro relatório de andamento 22 Tradução livre de trechos do parágrafo 11 da “Nota da pesquisa que o autor está realizando na Europa comauxílio da FAPESP, já incorpora alguns dos comentários do Secretário Geral” C(93)83, de 29/06/93.
gentilmente enviados pelos colegas Ademir Cazella, Eduardo Estas observações resultam de uma leitura do processo Ehlers, Ignacy Sachs, e Ricardo Abramovay.
verbal da reunião do Conselho, um documento“reservado” da OCDE.
Tradução livre do tópico “Territorial Development”da brochura The OECD in the 1990s, p. 40-41.
1 Conforme tipologia da OCDE baseada na proporção da população regional que vive em localidades rurais, isto é, com menos de 150 hab/km2. ‘Essencialmente Rurais’ são as regiões nas quais mais de 50% das 28 Fala-se mesmo de uma “grande svolta”. Ver a propósito localidades são rurais; ‘Relativamente Rurais’ são as regiões nas quais entre 15 e 50% das localidades sãorurais; ‘Essencialmente Urbanas’ são as regiões nas Referências bibliográficas
quais menos de 15% das localidades são rurais. Ver apropósito Abramovay (1999a).
ABDELMALKI, Lashen; Claude Courlet (eds.). Les 2 Um excelente discussão desse problema está em Nouvelles Logiques du Développement. Paris, L’Harmattan, 3 Ver sobre este assunto o interessante artigo de ABRAMOVAY, Ricardo. Do setor ao território: funções e medidas da ruralidade no desenvolvimento 4 “It is impossible for a rural area to develop without contemporâneo. Relatório de Pesquisa IPEA, (BRA/97/ automatically becoming non-rural” (Saraceno, 1994, _____. O capital social dos territórios: repensando o de- senvolvimento rural. IV Encontro da Sociedade Brasileira Parafraseando Jean Rostand, vale lembrar que é muito de Economia Política, Porto Alegre, 01-04/06/99.
mais fácil se entender com quem fala outra língua doque se entender com quem dá outros sentidos às BAGNASCO, Arnaldo; TRIGILIA , Carlo (dir.). Società e Politica nelle Aree di Piccola Impresa, Venezia, Arsenale 7 Realizados desde o final dos anos 1970 pelos economistas Giacomo Becattini, Gioacchino Garofoli, BECATTINI, Giacomo. Dal ‘settore industriale’ al Sebastiano Brusco e Fabio Sforzi e pelos sociólogos ‘distretto industriale’. Alcune considerazioni sull’unità Arnaldo Bagnasco, Carlo Trigilia e Vittorio Capecchi.
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como muito provável, no norte gaúcho, em SantaCatarina, no sudoeste do Paraná, em algumas BENKO, Georges; LIPIETZ, Alain (dir.). Les Régions qui mesorregiões do Sudeste e do Nordeste, e até em Gagnent; Districts et réseaux: les nouveaux paradigmes certas microrregiões do Centro-Oeste e do Norte.
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Minority Groups: Coersion, Discrimination, Exclusion, Deviance and the Quest for Equality Prof. Dan Soen, Dr. Mally Shechory, Prof. Sarah Ben-David (eds.) Society consists of numerous interconnected, interacting, and interdependent groups, which invariably differ in power and status. The consequences of belonging to the more powerful, higher-status majority versus a less powerful, l

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